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Projeto de atendimento psicossocial a agressores completa um ano

Mais de 120 homens passaram pela iniciativa, coordenada pela 1ª Vara da Violência Doméstica de Cuiabá
Raquel Teixeira | Sejudh/MT

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Um ano depois de iniciado, o Projeto Esperança trouxe um alento a quem lida com a questão da violência doméstica e as dores, desajustes e por fim a compreensão de que somente com ajuda é possível seguir em frente, recomeçar de forma correta. O Projeto Esperança começou em setembro do ano passado com 127 agressores que passaram pela 1ª Vara Especializada da Violência Doméstica contra a Mulher, da capital, e trabalha a socioeducação e atendimento psicológico divididos em sete etapas. Deste número inicial, 48 dos agressores chegaram à fase final do projeto, que são os atendimentos individuais clínicos.

Os encontros são realizados aos sábados, coordenados pela psicóloga da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Eliane Montanha. Segundo ela, a iniciativa surgiu devido ao grande número de reincidentes em crimes contra a mulher e a intenção é trabalhar diretamente a socioeducação dos agressores. O juiz Jamilson Haddad, titular da 1ª Vara da Violência Doméstica, acompanha o andamento das atividades e participa dos encontros aos sábados.

No último final de semana teve início mais uma turma do projeto, que está concorrendo ao prêmio Innovare - que premia iniciativas do Sistema de Justiça em todo o país. Os agressores participam de várias fases do projeto, começando por uma palestra, onde são apresentados os objetivos do projeto, que busca uma mudança de atitude de comportamentos que não são adequados dentro de um contexto social. “Com isso, o agressor visualiza que de alguma forma determinadas atitudes por ele tomadas geraram infrações de conduta social, sendo assim necessária uma reflexão para que possam mudar suas atitudes em um futuro próximo”, explica a psicóloga, acrescentando que um dos objetivos é fazê-los compreender que essa forma de agir e falar é errada”.

As demais fases incluem a formação de grupos terapêuticos, palestras socioeducadoras e restaurativas, com noções de valores sociais, direitos das mulheres, direito penal, estruturação social e educação familiar. Após as palestras informativas, o grupo de agressores passará por debates de todas as matérias apresentadas, de forma que ocorra uma conscientização diante de seus atos executados anteriormente. “Eles trazem questões pessoais, relações familiares, de infância. Então buscamos fazer encontros terapêuticos” define Eliane.

O projeto trabalha a conscientização por meio de atendimentos individualizados, inicialmente com psicólogos e estagiários do curso de psicologia, que são supervisionados por Eliane Montanha. As palestras educativas são feitas com profissionais de diversas áreas e depois de cada palestra, é retornado ao trabalho de grupos e, posteriormente, um tratamento para mudança de comportamento.

“Esse projeto busca que o agressor tenha conhecimento de como ele está inserido no ciclo da violência e nessa cultura machista da sociedade, de que forma ele pode ressignificar e como a iniciativa pode contribuir para que não haja repetição e que ele não volte a praticar esse tipo de violência. É uma oportunidade singular de prepará-los para as relações humanas”, defendeu o juiz Jamilson Haddad. 

São parceiros do projeto a Faculdade de Cuiabá (Fauc), o Conselho Penitenciário, Ordem dos Advogados do Brasil – seccional MT, Polieduca Brasil, Poder Judiciário, entre outros.