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Penitenciária amplia capacidade de produção de ateliê de costura

Projeto no qual trabalham 12 reeducandos registrou uma produção, em 2018, de 4 mil peças de roupas, entre uniformes para reeducandos e servidores, além de outras demandas.
Raquel Teixeira | Sesp-MT

33,9% da população prisional do Estado está trabalhando e estudando - Foto por: Sispen
33,9% da população prisional do Estado está trabalhando e estudando
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Uma das principais oficinas de trabalho para reducandos na Penitenciária Regional Major Eldo Sá Corrêa, em Rondonópolis (218 km ao sul de Cuiabá), ganhou um novo espaço destinado ao corte e costura, tendo como carro-chefe a produção de uniformes em malha e brim.

O ateliê de costura e serigrafia integra o Projeto Alvorada, no qual trabalham 12 reeducandos, e no ano passado registrou uma produção de 4 mil peças de roupas, entre uniformes para as unidades prisionais masculina e feminina e servidores, além de outras demandas externas. A parceria com uma empresa de uniformes da cidade também aproveita a mão de obra dos reeducandos, que são remunerados por produção. A empresa entrega as peças já cortadas e na oficina da penitenciária é feita a costura e arremate final.

Coordenado por dois servidores da penitenciária, o projeto Alvorada inclui a padaria e uma lavanderia instaladas na unidade, com mais oito recuperandos trabalhando. Estas iniciativas, junto a outros projetos como a marcenaria, serralheria e horta e atividades extramuros, ajudam a colocar o Sistema Penitenciário de Mato Grosso entre os principais estados em percentual de presos exercendo alguma atividade educativa ou laboral - 33,9% da população prisional do Estado está trabalhando e estudando - uma realidade bem distinta da maioria dos estados brasileiros e da média nacional, que é de 18,9%.

Para os servidores que cuidam do projeto na penitenciária, o trabalho auxilia no comportamento e progressão do reeducando durante a permanência na unidade e proporciona uma chance de aprender um ofício com o qual poderá retornar qualificado à sociedade. “Muitos recuperandos que estão hoje no projeto já ensinam os mais novos, aprenderam o ofício e estão passando o ensinamento à frente. Tem mais experiência e poderão ter uma atividade remunerada quando saírem”, explica Emmanuel Carlos Rodrigues Silva, assistente administrativo que, em conjunto com a servidora Maria Leite, cuida das atividades do projeto Alvorada.

O maquinário do ateliê foi ampliado neste ano com a inclusão de mais 11 novas máquinas – corte, costura, acabamento e galoneiras - adquiridas pelo Programa de Capacitação Profissional e Implementação de Oficinas Permanentes (Procap), do Departamento Penitenciário Nacional. A oficina tem ainda outras máquinas de costura cedidas pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. Os tecidos e linhas para a confecção são adquiridos com recursos da cantina da unidade prisional.

Qualificação e experiência

Em 2017, os dois servidores conseguiram levar para o ateliê a parceria do projeto Japuíra, uma iniciativa de qualificação em corte e costura industrial ofertada pelo Instituto Mato-grossense do Algodão e a Associação de Produtores de Algodão de Mato Grosso. Com um método eficaz desenvolvido pelo pernambucano Romero Sobreira, consultor do IMA, o projeto Japuíra levou à penitenciária um treinamento intensivo de 4 meses em corte e costura, inclusive com maquinários e tecidos para as aulas.

No ano passado, os reeducandos passaram por outra qualificação ofertada pelo Programa Nacional de Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) Prisional.

A penitenciária começou o ateliê com máquinas, operadas incialmente pelos reeducandos mais que já tinham alguma experiência com costura. Jerson, Adenilson e Valdenir começaram a atividade costurando à mão e hoje são responsáveis pela confecção dos uniformes de parte dos 1.400 presos, além de jalecos e calças usados pelos professores e agentes da unidade. “Estou há três anos no projeto e com os cursos do projeto Japuíra e do Senai aprendi a costurar malha e brim e hoje ajudo os que ainda não tem muita experiência”, diz Valdenir.

Além dos uniformes da penitenciária, a oficina produz peças para outras cadeias públicas do estado, assim como a oferta de serviços a entidades públicas. “A habilidade demonstrada pelos reeducandos trouxe a possibilidade de produção de outros itens de vestuário em parceria com empresários locais, como por exemplo, pijamas infantis que foram confeccionadas com material doado por comerciantes e depois entregues a crianças de creches locais”, pontua Emmanuel.

Diretor da penitenciária, Ailton Ferreira, destaca a importância das atividades laborais como uma oportunidade de auxiliar o preso no processo de retorno à sociedade. “O mercado de trabalho é carente desses profissionais e essa oportunidade aos vislumbra novos horizontes a quem se encontra segregado, oportunizando a profissionalização para que ao alcançar a liberdade possa buscar a efetiva inserção no mercado de trabalho e, consequentemente, no meio social”.