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Reeducandos celebram união civil e religiosa em casamento coletivo

Fernanda Nazário | Sejudh-MT

Haillym Heivinny/Gcom-MT
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A Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, foi o cenário para a concretização de um sonho de 27 reeducandos. Eles e as suas respectivas companheiras celebram no dia 30 de agosto a união civil e religiosa durante um casamento coletivo realizado na unidade prisional.

Para o recuperando João Batista, 34 anos, recluso há quatro anos e dois meses, este é um momento histórico. Ele crê que a partir de hoje começa uma nova etapa em sua vida. “Neste lugar eu aprendi a valorizar a minha vida e aqueles que gostam de mim. Diferente do que muitas pessoas pensam, aqui dentro eu tive a oportunidade de mudança e espero sair com o coração voltado para Deus, disposto a amar minha esposa e a cuidar dela”, planeja João.

Com direito a vestido de noiva, véu e buquê de flores, a esposa de João, Flávia Pereira, conta que, como toda mulher prestes a subir no altar, também ficou nervosa, mas venceu o nervosismo. Com um largo sorriso no rosto e lágrimas nos olhos, Flávia disse sim a João. “Nossa história de amor é complicada, mas teve um final feliz. É isso o que importa, porque casar era o nosso sonho e eu sou muito grata por ele acontecer”, comemora a noiva.

A cerimônia

Os noivos são reclusos da ala evangélica da penitenciária e tiveram o compromisso selado por um pastor e um representante de um cartório civil. A cerimônia foi organizada pela direção da PCE, associação dos servidores da penitenciária e parceria com a Defensoria Pública do Estado, que conseguiu junto ao cartório a gratuidade da taxa da união civil. O grupo de apoio aos familiares dos detentos auxiliou as noivas e decorou o local do casamento.

O secretário adjunto de Administração Penitenciária, Emanoel Flores, e o diretor da penitenciária, Revétrio Francisco da Costa, receberam os noivos e seus familiares durante a cerimônia.

“Além da custódia, nós também somos responsáveis pela ressocialização do reeducando. E ao aproximá-lo da família, estamos contribuindo para que ele cumpra a pena com mais tranquilidade e com a certeza de que há uma parceira do teu lado auxiliando no processo de reeducação”, observa Emanoel.

Este é o primeiro casamento coletivo de grande porte ocorrido na unidade. Segundo o diretor da penitenciária, a ideia da celebração surgiu de um recuperando que tinha vontade de casar. “Então juntamos vários que queriam a mesma coisa, fizemos uma seleção e organizamos este evento com a proposta de fazemos a integração com a família, fortalecendo o compromisso entre eles”.

Mais que uma simples assinatura em um livro do cartório e da igreja, o casamento representa a junção de duas vidas com propósitos diferentes trilhando o mesmo caminho. Para o defensor público José Evangelista, do Núcleo de Execuções Penais, é um incentivo à ressocialização, que requer mudança efetiva de vida.