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Atividades laborais retiram reeducandos da ociosidade no Centro de Custódia

Unidade tem horta, confecção de cadeiras e artesanato em barbante, além de atividades de manutenção predial
Fernanda Nazário | Sejudh-MT

Sejudh-MT
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Com o objetivo de tirar os reeducandos da ociosidade e ainda promover a ressocialização, a equipe do Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) iniciou projetos laborais na unidade, com quatro frentes de trabalho: horta, confecção de cadeiras e artesanato em barbante, além das atividades de manutenção predial. 

G.F.A, 41, encontrou na horta uma uma oportunidade de sair da ociosidade. Após um ano e seis meses recluso e sem ocupação, ele agora é responsável pelo local e com mais dois colegas realizam desde as primeiras horas do dia a adubagem da terra, limpeza, plantio e a colheita

"A gente ficava só recolhido dentro das celas. Todo meu conhecimento não estava sendo utilizado, mas hoje posso colocá-lo em prática", diz G.F.A, que é técnico em agropecuária e administrador de empresas.

A horta já existia no CCC, mas estava sem cultivo. O espaço foi reativado há dois meses e tem cultivo orgânico de diversas hortaliças, como alface, rúcula, salsa, coentro e couve. A produção será destinada para instituições de apoio a idosos e crianças. Próximo da horta também há também o cultivo de plantas medicinais e árvores frutíferas, como mamão, acerola, limão, cajú e maracujá.

Confecção de cadeiras

J.S.C., 37 anos, é formado em gestão pública e descobriu outra habilidade dentro da unidade. Ele confecciona cadeiras de fio sintético. O posto de trabalho é novo no local, teve início há dois meses, mas já conquistou os custodiados, pois agora eles podem passar horas tecendo as tramas em uma estrutura metálica que é fornecida pelo Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), em uma parceria entre as unidades prisionais.

"Eu nunca imaginei que iria aprender a fazer isso, montar uma cadeira. Para mim este serviço está sendo uma terapia, além de ocupar minha cabeça e não me deixar parado", conta o reeducando que está custodiado há quase dois anos e participa da oficina com outros três custodiados.

Ocupar para ressocializar

Acreditar que crochê é artesanato somente para mulher já é um pensamento ultrapassado. Prova disso é T.M.F, 37, preso há cinco meses. Ele aprendeu o ofício no Centro de Custódia e diz que a técnica não tem mistério. 'Para praticar só é necessário paciência e dedicação', ensina T.M.F, reforçando que a ocupação para quem esta privado de liberdade é imprescindível para a ressocialização.

O diretor da unidade, Éwerton Santana Gonçalves, acredita que depois de segregada, a pessoa precisa ser reeducada para então retornar à sociedade. E isso só irá acontecer se um preso tiver a oportunidade de mudança.

"Percebi que na ocupação eles poderiam sair da mesmice. Foi ai que decidi, de forma racional e na medida do que é correto, ir disponibilizando frentes de trabalho na unidade. E isso tem gerado bons resultados para nós e para os internos", destaca Éwerton.

Um total de 13 reeducandos desempenha alguma atividade laboral dentro da unidade. Eles não são remunerados, entretanto, recebem a remição da pena, conforme prevê a Lei de Execução Penal, que prevê a cada três dias trabalhados, um dia é descontado na pena.